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O ser é, portanto, uma interioridade absoluta ou universal. O eu individual introduz nela uma limitação, para além da qual se estende uma exterioridade aparente que ele procura superar gradualmente; desse modo, torna-se cada vez mais interior a si mesmo. Esse é o papel que cabe à existência. No ser, a existência ainda não surgiu. Mas, para cada existência, o ser pode ser definido como um infinito de possibilidade do qual ela participa conforme a capacidade de sua natureza ou o grau de sua liberdade. Observamos, assim, uma curiosa inversão na dupla relação que o ser e a existência mantêm com a possibilidade: quando nos colocamos no interior de uma existência, é o ser que se torna uma possibilidade, precisamente porque a ultrapassa — o que permite negá-lo ou atribuir-lhe existência apenas em ideia. Ao contrário, quando nos colocamos no interior do ser, é a existência que se torna uma possibilidade: ela deve assumir o ser por meio de um ato que lhe cabe cumprir e que lhe dá seu próprio ser. Isso permite considerá-la transitória e talvez destinada a desaparecer à medida que se realiza.

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