Mas, se o ser não pode ser dissociado da afirmação, compreendemos por que se procurou encontrá-lo em seu conteúdo — isto é, ora no atributo, ora no sujeito da afirmação —, dois termos de algum modo recíprocos e que ele sempre ultrapassava. Dizer, ao contrário, que ele residia no “é”, no qual a própria afirmação se cumpria, significava buscá-lo no agente da afirmação, e não mais em um de seus termos. Era preciso, então, deslocá-lo do afirmado para o afirmante. Pois o afirmante só podia pôr-se a si mesmo como portador da potência infinita da afirmação. A partir desse momento, o ser deixa de ser essa universalidade abstrata que faria dele o caráter comum de uma multiplicidade infinita de termos considerados independentemente de seu conteúdo, para tornar-se uma universalidade concreta, tal que não há termo que não esteja envolvido no ato absoluto da afirmação e que não exprima sua limitação. Isso mostra, ainda, por que a unidade do ser deve ser definida como uma origem, e não como um total.
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