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Essas distinções destinam-se a mostrar que o ser é, sem dúvida, o objeto de uma primeira afirmação que compreende em si todas as outras, mas que essa mesma afirmação, sem nada perder de sua universalidade, ainda assim é capaz de receber formas diferentes conforme nela se considere o ato que a produz ou o conteúdo a que ela se aplica. De fato, frequentemente nos servimos, como se fossem sinônimos, de termos diferentes aos quais parecemos conferir igualmente um sentido ontológico. E, se a distinção entre essência e existência se tornou tradicional, encontramos, em contrapartida, mais dificuldades quando se trata de determinar o sentido próprio das palavras ser, existência e realidade. No entanto, parece-nos que nenhuma dessas palavras pode ser compreendida senão por sua relação com as duas outras. Com efeito, se cada uma delas se limitasse a envolver a totalidade da afirmação, sem entrar com nenhuma outra em relação de conexão ou de oposição, seria impossível afirmar qualquer coisa a seu respeito. Não poderíamos sequer dizer que se trata de um absoluto, pois não haveria nenhum relativo que nos revelasse sua condição de absoluto. Se não houvesse aspectos diferentes pelos quais ele se revela a nós e que podemos compor uns com os outros, seria impossível não apenas pensá-lo, mas sequer pô-lo. E sua perfeita plenitude não se distinguiria, para nós, de uma vacuidade total. Não teríamos sequer o recurso de opor o ser ao nada, pois o nada, que o ser exclui, pressupõe o próprio ser para tentar rasurá-lo, por uma espécie de contradição que o próprio ato de rasurá-lo introduz no nada.

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