Pular para o conteúdo

Introdução à ontologia

Conclusão

Parágrafo 96

A filosofia parece, agora, poder libertar-se dessa antinomia, ao mesmo tempo insuportável e insuperável, pela qual se opunham outrora o ser e a aparência. A aparência era o objeto tal como era dado, e o ser era também o objeto, mas tal como era em si — isto é, tal como não era dado. Era em vão, porém, pensar que ele pudesse, ao menos, ser dado a uma faculdade de intuição que não fizesse uso, por sua vez, de sentido algum. Pois nada pode ser dado senão sob a forma de um objeto ou de um fenômeno. E tal faculdade de intuição é uma quimera, se não for a consciência mesma que tomamos de um ato interior, no momento em que o cumprimos. Ora, é esse ato interior que funda nossa existência própria; e o valor é dela inseparável, se é verdade que tal existência, enquanto não é dada, mas é por nós dada a nós mesmos, implica sempre uma justificação de si mesma, sem a qual estaria, precisamente, desprovida de interioridade. O valor nos faz, pois, penetrar na interioridade do ser enquanto este é verdadeiramente causa de si. O ser não possui nenhum dos caracteres pelos quais o objeto pode ser definido — mesmo se acrescentarmos que é um objeto puro ou um objeto inteligível: mas a realidade objetiva merece, evidentemente, o nome de aparência, na medida em que é correlativa de um ato de participação, que ela limita e ultrapassa, embora só tenha sentido para ele e em relação a ele.

Parágrafo 96 has loaded