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Introdução à ontologia

Conclusão

Parágrafo 95

Podemos resumir toda a nossa análise dizendo que as categorias ontológicas e as categorias axiológicas se opõem umas às outras, termo a termo, e que só se opõem para serem conciliadas — como se as categorias ontológicas fornecessem às categorias axiológicas uma espécie de suporte que, sem estas, permaneceria desprovido de significação. Na realidade, essa não coincidência é, ao mesmo tempo, uma condição sem a qual as próprias categorias ontológicas não poderiam ser definidas: sem o bem, o ser estaria desprovido dessa razão de ser interna que, somente ela, permite pô-lo como ser; sem o valor que a justifica, a existência não mereceria ser aceita nem assumida; sem o ideal ao qual se opõe, o real não poderia ser o que é — isto é, um dado incapaz de nos satisfazer e que sempre buscamos superar. — Contudo, as coisas não são tão simples quanto parecem. Pois o intervalo entre as categorias ontológicas e as categorias axiológicas é um efeito da participação; assim, o par existência-valor é mediador entre o par ser-bem, cujos dois termos são idênticos um ao outro, e o par ideal-real, cujos dois termos são contrários um ao outro. Foi preciso dissociar a existência do valor para que a participação fosse possível: mas é essa dissociação que nos revela, ao mesmo tempo, a identidade do bem e do ser, se o ser é reduzido à interioridade absoluta, e a oposição entre o ideal e a realidade, se a realidade é definida como a exterioridade pura. As filosofias da antiguidade contentavam-se em reter os termos extremos desses três pares subordinados — a saber, o ser e a exterioridade, esta última definida como a aparência. As filosofias da época moderna fixaram o olhar, de preferência, sobre o par intermediário — isto é, sobre a relação entre a existência e o valor. Acreditaram, com frequência, que nenhuma experiência permitia superar a relação entre esses dois termos, e preferiram, em geral, deixar degradar-se a existência em realidade, e o valor em ideal, em vez de fazer da existência uma participação no ser, e do valor um meio de promovê-la indefinidamente por uma adequação crescente ao ser — que já não se distingue do bem assim que se torna nosso fim. É, pois, o valor que nos põe, agora, em relação com o ser e que desempenha o papel que o ser desempenhava nas filosofias tradicionais; e, na medida em que a existência dele se afasta, é ela que se converte em realidade — no sentido mesmo em que a realidade é o que nos aparece.

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