Pular para o conteúdo

Introdução à ontologia · Segunda parte / Ideal

Ideal

Parágrafo 89

Mas a palavra ideal testemunha, de maneira ainda mais estreita, sua relação com a existência, cujo papel é, precisamente, discerni-lo e persegui-lo. Pois é apenas quando o comparamos ao real — e mesmo a essa forma bloqueada do real que é o realizado — que o ideal aparece como o sonho de uma imaginação impotente. De outro modo, ele pode ser definido como o atrativo do valor: por conseguinte, se remontamos a sua fonte — a saber, até a existência, para a qual ele é apenas um possível que ela atualiza, mas um possível carregado de valor, e que abala nela o querer —, ele permanece sempre em relação com a realidade, não mais como seu contrário, mas como o princípio interior que a move e que a justifica. O ideal e o real são, então, inseparáveis e, por assim dizer, essenciais um ao outro — pois o ideal sempre precisa ser realizado, sem o que permaneceria um possível puro e não exprimiria essa participação no ser e no bem, cujo caráter próprio é superar-se sempre a si mesma indefinidamente; e o real, sem o ideal, careceria desse princípio interior de realização, que constitui sua razão de ser e sobre o qual sem cessar o julgamos, pelo intervalo mesmo que dele o separa.

Parágrafo 89 has loaded