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Introdução à ontologia · Segunda parte / Ideal

Ideal

Parágrafo 84

Assim, substituímos à oposição imediata que ficamos tentados a estabelecer entre os dois termos ideal e real uma relação que torna os dois termos inseparáveis — não em virtude de uma necessidade lógica, mas em virtude de uma exigência inerente ao ato mesmo sobre o qual a participação se encontra fundada. A união do real e do ideal nunca está feita, mas é porque ela deve sempre ser feita. É uma superstição igual realizar o ideal em um mundo diferente daquele do qual temos experiência, ou então — sob o pretexto de que ele não encontra lugar na realidade tal como nos é dada — dizer que ele nada é. Pois ele é, precisamente, o que não é real, a fim, precisamente, de que o realizemos — o que, no próprio ser, ultrapassando o participado, designa não apenas o participável, mas o «digno de ser participado».

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