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Introdução à ontologia · Segunda parte / Valor

Valor

Parágrafo 73

Não há por que estranhar, pois, que, ao passo que o bem tem sempre um caráter absoluto, o valor tenha um caráter relativo. Esse caráter foi posto em evidência por todos os teóricos do valor. Mas, sobre este ponto, é preciso ser prudente. Pois o valor é, nas coisas relativas, aquilo mesmo que exprime sua relação com o absoluto. Tal é também a razão pela qual se pode dizer que ele é, propriamente, o absoluto de cada coisa — ou, ainda, que é ele que nos permite elevar até o absoluto todas as coisas relativas, que subordina essas coisas ao ato de uma liberdade, e o ato dessa liberdade a uma causalidade de si por si, que é seu princípio e seu fundamento. O valor é, pois, ainda o bem, mas engajado na participação, e pondo em jogo seja o agente da participação, seja as determinações que são a condição ou o efeito de sua operação. Tal é a razão pela qual o valor sempre nos parece dever ser adquirido — embora pareça sempre coincidir com a essência mesma dos seres e das coisas, como se perdê-lo fosse, de súbito, ser infiel a si mesmo e tornar-se apenas a sombra daquilo que se poderia ser.

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