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Introdução à ontologia · Segunda parte / Bem

Bem

Parágrafo 68

Esta última observação permite depreender o sentido do método que seguimos na aproximação que estabelecemos entre o ser e o bem. Antes de tudo, era inevitável, após ter reduzido o ser à interioridade, e em seguida essa interioridade à de um ato que encontra em si mesmo a razão de ser de seu próprio cumprimento, confundir o ser com o bem, que é essa razão agente — sem o que seria preciso que tudo permanecesse no repouso, isto é, no nada; ao contrário, tal ato, que se consuma em seu exercício puro, não pode ser ele mesmo senão eterno. Além disso, éramos constrangidos a escolher entre dois partidos opostos quando queríamos atingir a raiz mesma do ser. Ou bem, com efeito, o ser parece poder ser apreendido de maneira privilegiada em suas formas inferiores — ali onde tem menos afinidade com a consciência, ali onde, para ela, é o mais impenetrável, e onde lhe opõe a resistência mais viva. Ou bem, ao contrário, pensa-se que é no próprio cume da consciência — no ponto mais alto que ela é capaz de alcançar em seus momentos mais lúcidos, quando o mundo parece tornar-se para ela transparente, quando toda resistência cessa, quando sua atividade está tão estreitamente unida à atividade da qual participa que dela não se distingue — que se produz nosso verdadeiro encontro com o ser. Ao adotar a primeira tese, somos inclinados a pensar que o espírito, que é a ponta extrema da realidade, é, ele mesmo, sem realidade (o que está em conformidade com o sentido mesmo que demos à palavra realidade, mas que nos recusamos a confundir com o sentido da palavra ser); ao adotar a segunda, é o espírito que é o ser, mas sua atividade nunca se exerce em nós de maneira plenária — de modo que ele é sempre inseparável das condições que o limitam e das aparências que o traem. Mas é evidente que o ponto mesmo em que seu ato é o mais puro é também o ponto em que a presença do ser é, para nós, a mais perfeita. É também o ponto em que nossa consciência subiu o mais alto, em que o ser que se tornou seu é também o bem supremo que ela busca obter. Quando muito, pode-se observar que a identidade entre o bem e o ser é então tão estreita, que o ser já não recebe a qualificação de bem; o bem ainda pertence à busca, e esta, enquanto persegue um fim do qual permanece distante, tem sempre um caráter moral. Mas a posse abole esse caráter: a moral é o único caminho da metafísica e da mística, que estão, uma e outra, para além da moral.

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