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Introdução à ontologia · Segunda parte / Bem

Bem

Parágrafo 69

Restaria, enfim, ao que parece, estudar o mal como correlativo do bem em um par de contrários, em que cada um deles parece posto apenas por sua relação com o outro. E não se deve estranhar que, ao prosseguir aqui a assimilação do bem ao ser, se possa comparar o mal ao não-ser ou ao nada — de modo que o mal seria definido como uma simples negação. Reconhece-se que a ontologia do bem inclina naturalmente para essa tese. Ela é, contudo, insustentável, pois não há contrário do ser; o não-ser ou o nada nada é, ao passo que sabemos que o mal é uma realidade positiva. É, na própria vontade, o partido de destruir ou de aniquilar (ou, o que vem a dar no mesmo, de rebaixar ou de perverter). Mas só explicaremos a verdadeira noção do mal recordando uma teoria dos contrários que já expusemos muitas vezes: a saber, primeiramente, que os dois contrários não estão no mesmo plano, pois há um que deve ser posto primeiro para que o outro possa negá-lo; em seguida, que essa dicotomia entre os contrários se efetua sempre no interior de um termo soberanamente positivo e, ele mesmo, sem contrário, mas que é tal, que não pode ser participado sem evocar aquilo que essa participação exclui — e que, em relação a ele apenas, deve ser considerado como uma negação. Assim, o bem, enquanto é idêntico ao ser, é, ele mesmo, sem contrário; mas há um bem relativo, que é inseparável da existência e que evoca como contrapartida um mal — do qual se pode dizer que é tudo o que, no ser, a existência rejeita para fora de si, seja em virtude de sua limitação necessária, seja em virtude de um gesto negativo de sua liberdade. Tal é a razão pela qual, se o bem e o ser sempre se acompanham, só há oposição secundária entre o bem e o mal à escala da existência — isto é, quando a participação começou.

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