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Introdução à ontologia · Segunda parte / Bem

Bem

Parágrafo 63

Poderíamos apresentar as coisas de outra maneira ainda. Pois, se o que caracteriza o ser é superar a distinção entre a essência e a existência, mostramos que é, sem dúvida, um erro pensar que a existência realiza um progresso em relação à essência no momento em que a atualiza. Bem ao contrário, é preciso dizer, sem dúvida, que o que caracteriza a existência é dar a si mesma uma essência — isto é, reencontrar um acesso a esse ser que é o lugar mesmo da essência. Não cabe à essência existencializar-se. Cabe, antes, à existência essencializar-se. A partir daí, compreende-se que o caminho para a essência seja o mesmo caminho que o caminho para o bem. E não surpreende que o bem de cada coisa seja também a sua essência. Mas sua essência, é a ela que cabe atingi-la e, se assim se pode dizer, conquistá-la. É que a essência se basta a si mesma, mas não a existência. E a suficiência do ser, que chamamos precisamente o bem, não é uma solidão morta, mas a possibilidade que ele tem de fazer participar, sem cessar, de sua abundância sem medida uma infinidade de existências novas, às quais permite constituir nele a sua essência — isto é, o bem que lhes é próprio.

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