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Introdução à ontologia · Segunda parte / Bem

Bem

Parágrafo 58

Dirão simplesmente que, se a universalidade e a univocidade pertencem em comum ao ser e ao bem, é que ser e bem se identificam? Contudo, o problema permanece sempre: saber por que os distinguimos, ou por que nos parece sempre que é o intelecto que apreende o ser, e a vontade que apreende o bem. Ora, sabemos que a distinção entre o intelecto e o querer é um efeito da participação — sendo o que caracteriza o intelecto permitir-me apreender o ser precisamente enquanto ele me ultrapassa, e o que caracteriza o querer permitir-me apreendê-lo precisamente enquanto estou interessado em produzi-lo: pois é como tal que ele se torna, para mim, o bem. Objetarão, então, que nada prova que haja identidade de natureza entre o ser enquanto me ultrapassa e o ser enquanto eu o produzo, e que mesmo o ato próprio de minha vontade só tem sentido porque o ser que ela visa difere radicalmente do ser ao qual se acrescenta? Mas eu não posso fazer essa distinção entre o ser tal como é antes e tal como é depois da intervenção do querer; essa distinção só tem sentido em relação à realidade. E a vontade é, ela mesma, consubstancial ao ser, que não é o objeto ao qual se aplica, nem o fim que ela se propõe, mas a atividade da qual participa. Na vontade, apreendemos o ser querendo-se e pondo-se a si mesmo como digno de ser querido. O afastamento que separa o ser do realizado pode conduzir o querer a reformar sem cessar o realizado, mas, através da reforma que dele faz, é a si mesmo que ele quer, e nele o ser do qual é o ato interior e ao qual o realizado permanece sempre inadequado. O ser verdadeiro é anterior à distinção entre o intelecto e o querer: sendo causa de si, ele é, para si mesmo, sua própria razão de ser; o papel da inteligência é permitir-nos discerni-la, e o papel da vontade, pô-la em prática.

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