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Introdução à ontologia · Segunda parte / Distinção

Distinção

Parágrafo 53

A relação entre a ordem teórica e a ordem prática receberia uma precisão nova se notássemos que, de um lado e de outro, é com um ato que lidamos; parece, é verdade, que o ato teórico produz apenas a inteligibilidade das coisas, ao passo que o ato voluntário produz sua realidade. Todavia, essa distinção só tem sentido à escala das coisas — ali onde, na participação, a realidade já se substitui ao ser. Pois, se tomamos o ato em sua pureza absoluta, ele não se aplica, como o entendimento, a tornar inteligível uma realidade que lhe é exterior; ele é a inteligibilidade de si mesmo, uma inteligibilidade que jamais é objetiva, mas sempre operatória; do mesmo modo, não busca produzir efeito algum, e nada engendra senão a si mesmo — seus efeitos aparentes não exprimindo nada mais do que seus limites e as etapas pelas quais empreende conquistar-se. Mais ainda: essa inteligibilidade do ato, por não ser a inteligibilidade de mais nada, é também seu ser próprio; e essa vontade, que é criadora de si, ao criar-se só pode criar sua própria razão de ser. A identidade do ser e do ato identifica não apenas a inteligência com o inteligível e o querer com o querido, mas ainda a inteligência com o querer e o inteligível com o querido.

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