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Introdução à ontologia · Segunda parte / Distinção

Distinção

Parágrafo 51

Essa análise encontraria uma justificação na oposição que Kant estabeleceu entre os dois aspectos da razão — e da qual se pode pensar que, em vez de abolir a possibilidade da ontologia, ela a funda. Pois é apenas no terreno do entendimento que o ser se nos apresenta sob uma forma puramente fenomênica, e que todos os empreendimentos da razão para apreender um objeto transfenomênico estão, eles mesmos, condenados ao fracasso. O ser jamais se apresenta, pois, a nós sob a forma contraditória de uma coisa em si. Isso não significa apenas que ele é uma coisa desconhecida ou incognoscível, mas significa, antes de tudo, que ele não é, e não pode ser, uma coisa. Que pode ser ele, por conseguinte, se é verdadeiramente um «em si» que não é uma coisa, senão um ato que se produz a si mesmo, que não pode ser o fenômeno de nada e por trás do qual nada há? Ora, desse ato temos a experiência: é o ato de uma vontade. E dizer que esse ato só pode encontrar em si mesmo um princípio que o determine é dizer que ele é, para si, sua própria razão de ser — ou que é uma razão agente, isto é, uma razão prática. Ninguém pode remontar para além. Chegamos a um ponto em que o prático nos aparece como mais profundo que o teórico — em que é ele que nos introduz no ser, que o teórico fenomenalizava. A questão é saber se toda enunciação ontológica não implicava, no coração desse ato mesmo com o qual o ser se confunde a partir do momento em que já não se aceita reduzi-lo ao fenômeno, uma referência ética ou axiológica, sem a qual parece impossível concebê-lo. De resto, as duas Razões só podem ser distinguidas em seu uso abstrato; de direito, são uma só, que se limita a si mesma assim que se aplica a um dado que lhe vem de fora — isto é, que ela é incapaz de criar.

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