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Introdução à ontologia · Primeira parte / Realidade

Realidade

Parágrafo 37

É notável que a realidade, embora esteja sempre para além do eu, só tem sentido para ele. E sua significação é, ao mesmo tempo, universal e individual. Ela é universal precisamente porque ultrapassa minha consciência finita e exprime, de algum modo, as condições de possibilidade da consciência considerada em toda a sua generalidade. Mas a realidade é também individual, no sentido de que é sempre preciso que seja oferecida a um indivíduo segundo uma perspectiva que só é verdadeira para ele. Essa junção tão estreita do universal e do individual é característica da realidade como tal. Ao contrário, o ser só pode ser posto em sua universalidade — é verdade que não abstrata —, pois é indivisível e está em toda parte presente por inteiro; e a existência, que é um ser de participação, só pode ser posta em sua individualidade — é verdade que não sensível —, pois não se distingue do próprio ato que a põe. Mas a realidade é, ao mesmo tempo, comum a todos — pois é a totalidade mesma do ser, enquanto aparece a um indivíduo qualquer — e, contudo, só é algo por seu encontro com cada indivíduo particular, que lhe dá sua atualidade. Daí que o que permanece o mesmo em todas as formas particulares da experiência só pode ser, precisamente, o abstrato, ou o conceito; ao passo que o conteúdo concreto da apreensão, e que varia com cada consciência, assume sempre um aspecto sensível. Ora, o acordo entre o conceito e o sensível, que sempre colocou um problema tão difícil, não passa do acordo entre as condições gerais de possibilidade da experiência em geral — isto é, da experiência de um ser finito, que ainda não é tal ser finito — e as condições individuais nas quais tal ser finito consegue realizar sua experiência particular.

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