Realidade
Parágrafo 33
Do mesmo modo que na existência apreendemos o ser enquanto ele se manifesta, na realidade nós o apreendemos enquanto está manifesto. A existência é inseparável do ato de participação: é sempre pessoal, subjetiva e concentrada em um ato de liberdade perpetuamente renascente, embora engajado em uma situação que para ele é, ao mesmo tempo, limite e meio. A realidade, ao contrário, é impessoal, objetiva, válida ao mesmo tempo para mim e para todos, e reduzida ao estado de um dado, que se pode observar e sobre o qual se pode agir, mas que é, ela mesma, desprovida de iniciativa e de interioridade. O que importa, primeiramente, notar é que, embora a existência e a realidade não possam ser confundidas, são, contudo, necessariamente solidárias uma da outra. Com efeito, a existência só se opõe ao ser na medida em que é um ser de participação — isto é, o ser enquanto assumido pelo eu, mas também por ele ultrapassado. Assim, a existência que o eu se dá a si mesmo encontra por toda parte ao seu redor, no próprio ser em que se inscreve, um limite em relação ao qual experimenta sua própria passividade, mas que traz em si uma densidade — ou mesmo uma opacidade — impermeável à sua operação. Ora, é a isso mesmo que chamamos a realidade.