Existência
Parágrafo 30
Todavia, não se pode pôr em dúvida que ela mesma se ache engajada, de certa maneira, no todo; ela é solidária às outras liberdades que limitam seu exercício, e o mundo no qual deve agir é um mundo em que essas liberdades agem concomitantemente com ela — de modo que ela se acha diante não apenas de possibilidades diferentes oferecidas à sua opção, mas de possibilidades que se realizam, ou que já estão realizadas independentemente dela, e no meio das quais lhe cabe inserir sua própria operação. Ora, é por isso que toda possibilidade deve ser posta em prática no espaço e no tempo, em que cada liberdade é obrigada a manifestar-se e em que as diferentes liberdades se separam e se comunicam — como se o espaço e o tempo fossem, ao mesmo tempo, as condições e os efeitos de sua ação recíproca. Daí que as possibilidades oferecidas a cada liberdade devem ser ora próximas, ora distantes: e chega-se a pensar que o nascimento, o meio, os acontecimentos lhes impõem outras tantas limitações propriamente subjetivas e individuais que são como uma fatalidade do possível, aquém da fatalidade do cumprido; e conservar a disposição desses possíveis não é ser senhor de criá-los, nem de mudá-los, nem de acrescentar-lhes algo.