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Introdução à ontologia · Primeira parte / Existência

Existência

Parágrafo 29

Contudo, dizer que o ser da existência é o ser de um poder-ser, ou ainda do poder que ela tem de dar a si mesma sua essência, é dizer também que essa existência só pode ser definida como a de uma liberdade. É preciso notar que, fora do exercício dessa liberdade pela qual a existência é interior a si — pois não tem outro ser senão aquele que dá a si mesma —, a existência não seria a do eu, não seria minha em nenhum grau. Seria a realidade de uma coisa, tal como é dada à consciência de um outro. Não há nada que exista senão como eu, nem nada que exista como eu senão pelo poder que tem de dispor de si. É também por aí que penetramos no ser, que se apresenta de súbito à liberdade como um feixe de possibilidades entre as quais, precisamente, lhe caberá escolher. A liberdade é o todo do ser transmutado em possibilidade em cada ponto: e a liberdade, como a consciência, deve ser, ela mesma, identificada à possibilidade do todo. De outro modo, seria preciso introduzir nela, antecipadamente, uma limitação que, vê-se bem, arruinaria essa pureza originária que a faz ser precisamente como liberdade. Ela não pode ser distinguida do infinito de possibilidade. Pode-se defini-la como a possibilidade de todas as possibilidades.

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