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Introdução à ontologia · Primeira parte / Existência

Existência

Parágrafo 22

Essa descoberta de uma existência que só pode ser interior a si mesma, que não pode ser separada do ato que a faz ser, que jamais me deixa e que acompanha todas as outras, me faz emergir do ser ou, se quisermos, me permite nele penetrar. Ela me distingue dele por minha própria limitação, mas me torna consubstancial a ele; me define como sendo a potencialidade mesma do todo do ser — o que é justamente o sentido que damos à palavra pensamento, quando a opomos a ser. E é evidente que tal experiência não pode ser deduzida: em virtude de sua interioridade, aquele que a faz cria, no mesmo lance, o seu objeto. Ora, a própria noção que temos do ser dela não pode ser separada: essa noção é descoberta ao mesmo tempo que ela, como o fundamento de sua compreensão — mais ainda do que como o excedente de sua extensão. Ela tem, por consequência, um alcance metafísico, primeiramente porque é o único ponto do mundo em que, sem dúvida — por consenso unânime dos filósofos —, estamos seguros de que o ser e o conhecer coincidem; mas também porque o ser, do qual ela testemunha que dele fazemos parte no momento em que damos a nós mesmos o ser, não aparece apenas como exterior a mim, nem mesmo como interior a si, mas como aquilo que funda minha própria interioridade a mim mesmo — de tal modo que, por um verdadeiro paradoxo, essa emergência para fora do ser só me separava dele em aparência, e como uma condição pela qual cabia a mim, ao reencontrar sua interioridade, dar-me a minha. Assim, o eu se enraíza no si e faz do si do ser a substância mesma de seu próprio eu.

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