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Introdução à ontologia · Primeira parte / Existência

Existência

Parágrafo 21

É preciso atentar primeiramente a esse ex que parece ser característico da existência, mas que pode dar margem a ilusão e nos fazer pensar que toda existência tem um caráter de exterioridade em relação à consciência — como se seu modelo se encontrasse nesse monstro contraditório de uma coisa desprovida de toda interioridade e que pudesse ser posta em si independentemente de uma consciência que a apreendesse. Mas o ex da existência inclina nosso pensamento em direção bem diferente. A existência é o que surge do próprio ser como um de seus modos, e que nele conquista sua independência, ao menos relativa. Só que, assim como o próprio ser não é o objeto absoluto, mas, ao contrário, a interioridade absoluta, esse modo do ser que surge no interior do próprio ser não perde de forma alguma o caráter que o faz participar do ser e que é sua interioridade própria: o que basta para explicar por que a existência só pode ser a descoberta constitutiva do sujeito por si mesmo. É a constituição de um ser capaz de dizer «mim» ou «eu». Compreende-se, então, que não possa haver outra apreensão da existência senão em uma existência que é a minha, com a qual me confundo, fora da qual, para mim, só há objetos ou fenômenos, e que é tal que nela a distinção entre o ser e o conhecer se acha transcendida: trata-se apenas, no seio dessa identidade entre os dois termos, em vez de reabsorver o ser no conhecer, de reabsorver, antes, o conhecer no ser, ou de fazer seu ser do conhecer que o ser tem de si mesmo. Tal é, sem dúvida, o sentido que se deve dar ao Cogito cartesiano.

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