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Introdução à ontologia · Primeira parte / Ser

Ser

Parágrafo 18

Dessas observações pode-se concluir que o ser, enquanto é aquilo mesmo fora do qual nada há, e que é preciso definir como um em si, ou como um si, isto é, como uma suficiência perfeita, deve ser concebido como um ato — ato que não se pode caracterizar como interior a si, e (empregando uma linguagem tomada do tempo) como criador de si, senão fazendo dele um ato de pensamento puro; pois, de outro modo, seu ser cego e padecido não passaria de uma coisa e só existiria em relação a outro ato capaz de pô-lo, ele mesmo, como coisa. Pois não há nada do qual não se possa dizer que é, e que não deva ser posto em relação a esse ato — sem o qual não poderia subsistir — e que é, verdadeiramente, o ser de todas as coisas. Vê-se bem que, assim que lhe atribuímos a mínima limitação, encerramos nessa limitação um de seus modos (isto é, um de seus aspectos ou uma de suas manifestações), sem que o ser desse modo possa ser outra coisa senão o próprio ato cuja infinitude — que quer dizer suficiência — esse modo exprime conjuntamente com todos os outros.

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