Pular para o conteúdo

Introdução à ontologia · Primeira parte / Ser

Ser

Parágrafo 16

Que essa afirmação absoluta e interior a si mesma, da qual nosso próprio pensamento participa, e que é a condição e o suporte dele, seja pressuposta por todas as outras afirmações que a determinam e a limitam, eis aí o fundamento da universalidade e da univocidade do ser, tais como foram definidas no § 8. A partir daí, compreende-se que nossa experiência mais primitiva e mais constante seja a da participação, pela qual, ao descobrir o ser do eu, descobrimos o ser total, sem o qual o ser do eu não poderia sustentar-se: assim, o ser do eu nos faz penetrar na interioridade do ser, sem que ele próprio chegue, contudo, a igualar-se a ela. E é, sem dúvida, um grave erro buscar o ser naquilo que é exterior ao eu, em vez de buscá-lo nessa interioridade perfeita, da qual ele ainda está separado por seu corpo e pelo espetáculo do mundo — isto é, por tudo aquilo mesmo que o limita e que ele é obrigado a sofrer. Contudo, dentre esses aspectos ou modos do ser, não há nenhum que, por sua vez, não pertença ao ser; nenhum que não receba, daquela suficiência e daquela interioridade plenárias — fora das quais lhe seria impossível subsistir —, aquilo que permite pô-lo, em sua insuficiência e em sua exterioridade mesma; não se pode defini-lo por uma relação sem implicar em seu próprio ser a presença do ser que é o fundamento supra-relacional de todas as relações. O ser de cada coisa reside, certamente, em sua modalidade concreta e particular; mas isso é porque esta não pode ser posta independentemente, não apenas do ser unívoco que ela determina, mas ainda de todas as outras modalidades que ela convoca, e com as quais é preciso que permaneça unida, para que essa univocidade não seja alterada.

Parágrafo 16 has loaded