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Introdução à ontologia · Primeira parte / Ser

Ser

Parágrafo 10

Parece possível apresentar as coisas de outra maneira. O ser é inseparável da afirmação, mas dela é menos o efeito que o princípio. Pode, portanto, ser definido como a potência infinita da afirmação. Mas o ser é de tal modo indivisível da afirmação, que se quis encontrá-lo igualmente no atributo e no sujeito da proposição. Só que não se pode reduzi-lo ao atributo, porque é impossível conceber um termo diferente do ser, do qual ele seria o atributo, ou que ele contribuiria para formar ao reunir-se a outros atributos. É sobre essa impossibilidade de tratar o ser como um atributo que repousa a crítica dirigida por Kant contra o argumento ontológico. Será preciso dizer, então, que ele é o sujeito da proposição — um sujeito que não passa de sujeito, e do qual a especulação filosófica fez a substância? Mas que poderia ser esse sujeito, se o distinguíssemos de todos os seus atributos? Eis-nos, pois, reconduzidos a uma definição que o confunde, senão com a soma de todos os atributos, ao menos com a fonte superabundante de onde eles procedem antes que a participação os distinga e os oponha.

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