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Introdução à ontologia · Primeira parte / Ser

Ser

Parágrafo 9

Contudo, não podemos contentar-nos em definir o ser como o uno que é tudo e fazer dele, de algum modo, o objeto absoluto; pois bem sabemos que não há objeto que não seja correlativo de um sujeito, que esse objeto absoluto, fora do qual nada há, não poderia ser posto por um sujeito que dele se distinguisse, que, por consequência, ele só pode ser posto por si mesmo, e que, assim, tem direito ao nome de sujeito absoluto tanto quanto ao de objeto absoluto. É o que sugere Parmênides quando nos diz que há identidade entre τὸ εἶναι e τὸ νοεῖν. Mas como se deve entender essa identidade? Podemos primeiramente admitir que esse ser, por inteiro interior a si mesmo, não pode deixar subsistir em si qualquer objetividade, e que essa interioridade, à qual nada é exterior, só pode ser uma interioridade de pensamento; de modo que, se o ser nos parecera de início um objeto universal, era apenas na medida em que ultrapassava infinitamente a interioridade de nosso próprio pensamento. Contudo, essa ultrapassagem não podia efetuar-se por fora, mas somente por dentro. Ela exprimia a infinitude potencial de um pensamento que apenas atualizamos imperfeitamente. A universalidade do ser só podia, pois, receber um sentido para nós se fosse confundida com a universalidade do pensável: o que bastava para mostrar a comunidade de direito e a inadequação de fato entre o ser e a consciência que dele temos, uma vez que o pensável preenche o intervalo que separa o pensamento absoluto do pensamento exercido por nós. Daí esta consequência: o ser é naturalmente assimilado a uma possibilidade universal que só se atualiza na existência manifestada. Mas a distinção entre o possível e o atual só tem sentido para nós: o ser contém em si os dois termos, ou, antes, antecede sua dissociação, que é apenas o meio da participação.

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