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Introdução à ontologia · Primeira parte / Ser

Ser

Parágrafo 8

Contudo, esse ser parmenidiano, que parece ser o mais pleno e o mais profundo, não será também o mais vazio e o mais estéril? Toda universalidade, com efeito, não é uma universalidade abstrata? E, para que o ser possa dizer-se de toda coisa do mesmo modo, é preciso que, de nenhuma coisa, diga algo. De tal sorte que o conhecimento começaria para nós a partir do momento em que acrescentamos ao ser determinações que o enriquecem e o realizam. Mas é um paradoxo evidente considerar o ser como um abstrato. Ele é o todo que se pode dividir, mas de modo algum acrescer. Não lhe acrescentamos suas determinações: discernimo-las nele pela análise. Ao dizer que ele envolve tudo o que é, não queremos dizer que ele seja apenas o envolvente e não o envolvido, nem que aquilo que é não deva ser confundido com o ser daquilo que é. Ao contrário, o ser de cada coisa é a sua própria concretude, e não um caráter que dela se pudesse separar; e, se alguém objetar que a concretude de uma coisa não pode ser identificada com a de outra, responderemos que cada coisa, enquanto distinta de todas as outras, é incapaz de bastar-se, e que seu ser reside no feixe de relações que a une a todas as demais, e pelo qual cada uma desenha, por assim dizer, sobre o todo do ser, a configuração que lhe é própria. O ser é anterior à oposição entre o abstrato e o concreto; ou, antes, ele identifica a propriedade comum que permite dizer de cada coisa que ela é com aquela propriedade que a faz ser tal — isto é, que a põe em relação com todas as outras; do mesmo modo, é anterior à oposição entre a extensão e a compreensão, ou, antes, conjuga-as em si tão estreitamente que, se parece não ter por compreensão senão sua extensão, é também verdade dizer que, em contrapartida, tem sua compreensão por extensão.

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