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Introdução à ontologia · Primeira parte / Distinção

Distinção

Parágrafo 5

Tornamo-nos, por isso, capazes de responder à censura que não deixarão de nos fazer, a saber, a de pôr em xeque essa unidade absoluta do ser na qual parece que sua univocidade nos obrigaria a nos encerrar. Mas,

1º o ser, a existência e a realidade não são como um gênero e suas espécies; são três aspectos inseparáveis uns dos outros sob os quais o mesmo ser pode ser definido, desde que a participação seja introduzida e para que ela o possa ser;

2º se pensarmos que, por aí, introduzimos o relativo no seio mesmo do ser, isto é, do absoluto, isso de modo algum é mau sinal. Pois o que caracteriza o absoluto não é excluir o relativo, mas, ao contrário, fundar todos os relativos — que só podem sustentar-se por ele e que lhe são necessários não porque ele os suponha, mas porque ele os chama e porque, sem eles, ele mesmo não seria o absoluto de nada. Contudo, nenhum desses relativos tem outro ser senão aquele mesmo que o absoluto lhe dá: são contemporâneos do ato pelo qual o eu se põe e, ao pôr-se, põe ao mesmo tempo todos os outros relativos — inclusive, no próprio ser, os dois modos que chamamos existência e realidade.

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