Distinção
Parágrafo 3
Além disso, na impossibilidade de dizer que ele se afirma a si mesmo (o que implicaria, ao menos nele, uma dualidade de aspectos sem a qual não se poderia imaginar essa relação de si consigo), é preciso dizer que é nossa consciência que o afirma, ou, ao menos, que é nela que ele se afirma. Mas, a partir daí, entre o todo do qual fazemos parte e nós mesmos, que o afirmamos e que nele nos afirmamos, há relações que são imanentes à sua totalidade e que nos permitem pô-lo ora como uma interioridade perfeita e suficiente, à qual nunca somos adequados (é então que falamos do ser), ora como uma emergência comparável à nossa e em toda parte presente em todos os pontos de sua imensidão (é então que falamos de sua existência), ora como um dado que se impõe a nós de fora e que apenas podemos apreender (é então que falamos de sua realidade).