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Introdução à ontologia · Primeira parte / Distinção

Distinção

Parágrafo 2

Estas distinções destinam-se a mostrar que o ser é, sem dúvida, o objeto de uma primeira afirmação que compreende em si todas as outras, mas que essa mesma afirmação, sem nada perder de sua universalidade, é todavia capaz de receber formas diferentes conforme se considere nela o ato que a produz ou o conteúdo a que ela se aplica. De fato, servimo-nos frequentemente, como se fossem sinônimos, de termos diferentes aos quais parece que conferimos igualmente um sentido ontológico. E, se a distinção entre essência e existência se tornou tradicional, encontramos, em contrapartida, mais dificuldades quando se trata de determinar o sentido próprio das palavras ser, existência e realidade. Todavia, parece-nos que nenhuma dessas palavras pode ser compreendida senão por sua relação com as duas outras. Com efeito, se cada uma delas se limitasse a envolver a totalidade da afirmação, sem entrar com nenhuma outra em relação de conexão ou de oposição, seria impossível afirmar dela qualquer coisa. Não poderíamos sequer dizer que ele é um absoluto, pois não haveria nenhum relativo que nos revelasse sua absolutidade. Se não houvesse aspectos diferentes pelos quais ele se revela a nós, e que podemos compor uns com os outros, seria impossível, não apenas pensá-lo, mas mesmo pô-lo. E sua perfeita plenitude não se distinguiria, para nós, de uma vacuidade total. Não teríamos sequer o recurso de opô-lo ao nada, pois o nada, que ele exclui, o supõe, para tentar rasurá-lo, por uma espécie de contradição que o próprio ato de rasurá-lo nele introduz.

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