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No hotel marchei para o banheiro, fui tirar o carvão e o suor. E ia-me sentando à mesa quando chegaram João Nogueira, Azevedo Gondim e padre Silvestre.

— Então que desordem foi essa? — perguntou Azevedo Gondim. — Soubemos ontem à noite.

— Imagine como nos assustamos — acrescentou o vigário. — Um escândalo! É verdade que o Brito andou mal.

— Andou. Necessidade. Ele não é ruim. Queria duzentos mil-réis, coitado, e eu torci o corpo.

Tolice: gastei bem seiscentos, sem contar a aporrinhação de dois dias. O diabo é que, se ele recebesse os duzentos, havia de pedir mais duzentos e assim por diante.

— A notícia que circulou ontem foi que ele estava no hospital, com uma punhalada — informou padre Silvestre. — Constou até que tinha morrido. Felizmente hoje sossegamos. Ferimentos leves, não?

— Que ferimentos! O que houve foi troca de palavras. O Brito disse uns desaforos, eu disse outros, juntou-se gente e a polícia entrou na questão, que não era com ela. Não houve nada.

— Logo vi — bradou padre Silvestre. — Um homem prudente como o senhor não ia provocar barulho.

— Essa agora! — gritou Azevedo Gondim. — Pois eu tinha escrito duas colunas sobre o caso para o número de domingo.

João Nogueira aproximou-se e falou-me ao ouvido:

— Francamente, que foi que houve?

— Uma arenga sem importância.

E, pegando a ocasião:

— Ó dr. Nogueira, quem é aquela d. Glória?

— A tia da professora?

— Sim. Que tal é essa família?

— Em que sentido?

— Em tudo — respondi evasivamente. — A velha viajou hoje comigo, no trem. É simpática.

— Mas que interesse tem o senhor...

— É que a mulher, indiretamente, tocou-me numa pretensão: transferência da sobrinha. Eu nunca vi o diretor da instrução pública, mas dou-me com o Silveira, que faz regulamentos. Talvez não fosse impossível conseguir a transferência. Se elas merecem, está claro.

— Mas é uma excelente professora, seu Paulo, e um nobre caráter. O senhor quer retirá-la! Que lembrança! Se ela sair, sabe o que acontece? Mandam para cá uma velha analfabeta.

— Tem razão.

E, em voz alta:

— Jantar?

Agradeceram e despediram-se. Padre Silvestre abraçou-me:

— O amigo numa entalação dessa! A culpa foi do Brito. Ele é meio esquentado, mas ultimamente a orientação que vem dando à Gazeta é boa.

Acompanhei-os:

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