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Mas os que veem tuas obras através de teu Espírito, tu és quem as vê neles. Assim, quando veem que elas são boas, tu também vês essa bondade; em tudo o que agrada por tua causa, és tu que agradas nessas coisas; e o que nos agrada por teu Espírito, a ti agrada em nós. Com efeito, quem dentre os homens sabe das coisas do homem, senão o espírito do homem que nele está? Do mesmo modo, o que está em Deus ninguém o sabe a não ser o Espírito de Deus. “Quanto a nós”, diz ainda Paulo, “não nos foi dado o espírito deste mundo, mas o Espírito de Deus, a fim de que conheçamos os dons que nos vêm de Deus”. Por isso tenho razões para dizer: certamente ninguém sabe das coisas de Deus, com exceção do Espírito de Deus. Como então também nós conhecemos os dons que nos vêm de Deus? Eis a resposta que recebo: as coisas que sabemos por seu Espírito ninguém as sabe a não ser o Espírito de Deus. É com justiça que se disse aos que falavam, inspirados, pelo Espírito de Deus: “Não sois vós os que falais”, e aos que tiram sua ciência do Espírito de Deus: “Não sois vós que conheceis.” E com igual razão se diz aos que veem através do Espírito de Deus: “Não sois vós os que vedes.” Assim, quando veem no Espírito de Deus que algo é bom, não são eles, mas Deus quem vê que é bom. Por isso, uma coisa é julgar mau o que é bom, como o fazem os homens de que falei acima, e outra coisa ver que o que é bom é bom. Por exemplo: muitas pessoas amam tua Criação porque é boa, mas não te amam nessa criação; e por isso preferem gozar dela a gozar de ti. Há ainda um terceiro caso: um homem vê que uma coisa é boa, mas é Deus que nele vê que essa coisa é boa, e é Deus que é amado em sua Criação. Ele não o poderia ser senão graças ao Espírito que Deus nos deu, porque a caridade de Deus se difundiu em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado, e por quem vemos que tudo o que de algum modo existe é bom, porque vem daquele que não existe apenas de algum modo, mas é o que é.

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