Há outras águas, creio eu, sobre esse firmamento: águas imortais e ao abrigo da corrupção terrestre. Que louvem teu nome, que te louvem os povos supercelestes de teus anjos, pois não têm necessidade de erguer os olhos para esse firmamento, nem de ler para conhecer tua palavra! Porque eles sempre veem tua face, e ali leem, sem sílabas de tempo, o que quer tua eterna vontade. Leem, escolhem, amam. Leem perpetuamente, e o que eles leem não passa jamais. Escolhendo e amando, leem a própria imutabilidade de teu desígnio. Seu Livro jamais se fecha, jamais se enrola, porque tu mesmo és esse Livro, e o és pela eternidade; porque os estabeleceste por sobre este firmamento, que firmaste acima da fraqueza dos povos inferiores, para que estes, erguendo para ele os olhos, conheçam tua misericórdia, que te anuncia no tempo, tu que criaste os tempos. Porque tua misericórdia, Senhor, está no céu e tua verdade se eleva até as nuvens. As nuvens passam, mas o céu permanece. Os que pregam tua palavra passam desta vida para uma outra vida, mas tua Escritura se estende por sobre os povos até o fim dos séculos. O céu e a terra hão de passar, mas tuas palavras não passarão. A pele se há de enrolar, e a erva sobre a qual se estendia passará com seu brilho, mas tua palavra permanece eternamente. Agora é no enigma das nuvens e através do espelho dos céus, e não como é na realidade que ela nos aparece, porque, embora sejamos amados por teu Filho, ainda não se manifestou o que seremos. Ele nos olhou através das grades da carne, e nos acariciou, e nos inflamou de amor, e nós corremos atrás de seu perfume. Mas quando ele aparecer seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é. Vê-lo tal qual é, Senhor, será o nosso ver — o que ainda não nos foi dado.
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