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O mesmo se dá quanto à interpretação das palavras que se seguem. Entre essas interpretações, que são todas verdadeiras, cada um escolhe a sua. Este diz: “A terra era invisível e caótica, e as trevas se estendiam sobre o abismo”, isto é: essa massa corpórea, que Deus fez, era a matéria ainda sem forma, sem ordem, sem luz, das coisas corporais. Outro diz: “A terra era invisível e caótica, e as trevas se estendiam sobre o abismo”, isto é: esse conjunto que chamamos de terra e de céu era a matéria ainda informe e tenebrosa, da qual deviam ser feitos o céu corporal e a terra corporal, com tudo o que nossos sentidos corpóreos neles veem. Outro diz: “A terra era invisível e caótica, e as trevas se estendiam sobre o abismo”, isto é: esse conjunto que chamamos de céu e de terra era a matéria ainda informe e tenebrosa, com a qual deviam ser feitos o céu inteligível, que é designado alhures pela expressão céu do céu, e a terra, isto é, toda realidade corporal, nela incluindo o céu corporal; em resumo, a matéria de toda criatura visível e invisível. Outro diz ainda: “A terra era invisível e caótica, e as trevas se estendiam sobre o abismo”, isto é: não foi a esse caos informe que a Escritura deu os nomes de céu e de terra; mas esse caos, diz ele, já existia, e foi a ele que ela chamou de terra invisível e caótica e abismo tenebroso; e dele, dissera antes a Escritura, Deus fez o céu e a terra, isto é, a criatura espiritual e a corporal. E outro ainda: “A terra era invisível e caótica, e as trevas se estendiam sobre o abismo”, isto é: já existia uma matéria informe, da qual a Escritura diz que Deus criou o céu e a terra, a saber, toda a massa corporal do mundo, dividido em duas grandes partes, uma superior, outra inferior, com todas as criaturas que elas encerram e que nos são familiares.

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