É certo que não encontramos tempo antes dessa sabedoria, porque a sabedoria foi a primeira de todas as tuas criações. E, bem entendido, não pretendo falar da sabedoria da qual és Pai, ó nosso Deus, e que te é perfeitamente igual e coeterna, por quem todas as coisas foram criadas, esse princípio em que criaste o céu e a terra; pretendo falar da sabedoria criada, dessa essência intelectual que, pela contemplação da luz, também é luz, porque, embora criada, também a chamamos de sabedoria. Mas tanto quanto a luz que ilumina difere da luz refletida, tanto a sabedoria criada difere da sabedoria incriada e a justiça justificante da justiça nascida da justificação. Não somos também nós chamados de tua justiça? Porque um de teus servos disse: “A fim de que sejamos a justiça de Deus nele.” Há, portanto, uma sabedoria criada antes de todas as coisas, e essa sabedoria é a mente racional e intelectual de tua casta cidade, nossa mãe, que está no alto, livre e eterna nos céus — e em que céus, senão nos céus dos céus, que te louvam, esse céu do céu que pertence ao Senhor? Ainda uma vez é verdade que não encontramos tempo antes dessa sabedoria, porque ela precede a criação do tempo, tendo sido criada por primeiro. Mas antes dela há a eternidade de seu Criador, de onde tirou sua origem, não segundo o tempo, porque este ainda não existia, mas segundo sua condição de criatura criada.
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