Pular para o conteúdo

É de tua vontade que eu aprove a quem diz que o tempo é o movimento de um corpo? Não, não é. Ouço dizer que não há corpo que não se mova no tempo: tu mesmo o dizes. Mas que esse movimento de um corpo seja justamente o tempo, isso não o ouço dizer, e nem tu o dizes. Quando um corpo se move, é o tempo que me serve para medir a duração de seu movimento do começo ao fim. Se não vejo o começo, e percebo seu movimento sem ver quando para, fico sem meios de medi-lo, a não ser talvez do momento em que começo a ver o corpo mover-se até o momento em que não o vejo mais. Se o vejo por muito tempo, apenas posso dizer que a duração de seu movimento é longa, mas não posso dizer quanto é longa, porque só determinamos o valor de uma duração comparando-a. Dizemos, por exemplo: “Isto durou tanto quanto aquilo”, ou “essa duração é o dobro daquela”, e outras expressões semelhantes. Se podemos notar o ponto do espaço de onde parte um corpo em movimento, e o ponto de chegada, ou suas partes, se ele se move como num torno, poderíamos dizer quanto tempo levou para ir de um ponto a outro o movimento de um corpo ou dessas partes. Assim, sendo o movimento de um corpo outra coisa que a medida de sua duração, quem não vê à qual dessas coisas se pode dar o nome de tempo? Um corpo se move às vezes com movimento mais ou menos rápido, e outras vezes se detém: ora, é o tempo que nos permite medir, não somente seu movimento, mas seu repouso, e dizer: “Ficou em repouso por tanto tempo quanto em movimento”, ou: “Ficou em repouso duas, três vezes mais do que em movimento”, ou qualquer outra determinação, quer seja exata, quer seja, como se diz, aproximativa. O tempo, portanto, não é o movimento de um corpo.

Remover destaque