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Não é no tempo que precedes o tempo: de outro modo não precederias a todos os tempos. Mas precedes a todo o passado do alto de tua eternidade sempre presente, e dominas todo o futuro porque é futuro, e, apenas chegado, será passado; tu, porém, és sempre o mesmo, e teus anos não acabam. Teus anos não vão nem vêm; mas os nossos vão e vêm, a fim de que todos possam existir. Teus anos existem todos simultaneamente, porque permanecem; nem os que vão são excluídos pelos que vêm, porque não passam; os nossos, porém, só existirão todos quando todos já não existirem. Teus anos são um só dia, e teu dia não é cotidiano, mas um perpétuo hoje, porque teu hoje não cede o lugar ao amanhã, nem sucede ao ontem. Teu hoje é a eternidade: por isso geraste um filho coeterno, a quem disseste: “Eu hoje te gerei.” Todos os tempos são obra tua, e tu existes antes de todos os tempos, e é impossível que tenha existido tempo quando o tempo ainda não existia.

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