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Mas não se mostra essa beleza a quantos têm sentidos perfeitos? Então, por que não fala a todos a mesma linguagem? Os animais, pequenos e grandes, a veem; mas não podem interrogá-la, porque não têm uma razão encarregada, como juiz, de recolher as mensagens dos sentidos. Os homens, sim, podem interrogá-la, a fim de que as perfeições invisíveis de Deus se manifestem à inteligência através de suas obras. Mas o amor que têm pelas coisas criadas os escraviza, e essa submissão os torna incapazes de julgá-las. Ora, elas não respondem senão aos que as interrogam ao julgá-las. Elas não mudam a voz, isto é, a beleza, quando um apenas as vê e outro, vendo-as, as interroga, como se aparecessem de um modo a este e de outro àquele; mas, aparecendo do mesmo modo a ambos, ficam mudas para um, e falam ao outro. Ou melhor: elas falam a todos, mas apenas são compreendidas pelos que comparam sua voz exterior com a verdade interior. Porque a verdade me diz: “Teu Deus não é nem o céu, nem a terra, nem corpo algum.” Sua natureza diz isto a quem a vê: “É massa; e a massa é menor em uma parte do que no todo.” Por isso, minha alma, digo-te que és melhor, porque vivificas a mole de teu corpo, dando-lhe vida, o que nenhum corpo pode dar a outro corpo. Mas teu Deus é também para ti a vida de tua vida.

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