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O que sei com certeza, Senhor, é que te amo. Feriste meu coração com tua palavra, e te amei. Mas também o céu, a terra e tudo quanto neles existe, de todas as partes me dizem que te ame; nem deixam de dizê-lo a todos os homens, a fim de que sejam inescusáveis. Mas tu te compadecerás mais profundamente daquele de quem já te compadeceste, e usarás de misericórdia com quem já foste misericordioso. De outro modo, o céu e a terra cantariam teus louvores a surdos. Mas, que amo eu, quando te amo? Não amo a beleza do corpo, nem o esplendor que passa, nem a claridade da luz, tão agradável a estes olhos terrenos, nem as doces melodias das mais variadas cantigas, nem a fragrância de flores, de unguentos e de aromas, nem o maná, nem o mel, nem os membros dos quais são tão gratos os amplexos da carne. Nada disto amo quando amo a meu Deus. E, contudo, amo uma luz, uma voz, um perfume, um manjar, um abraço, quando amo a meu Deus, que é luz, voz, perfume, manjar e abraço de meu homem interior, onde resplandece para minha alma uma luz que nenhum lugar contém, onde se cantam melodias que o tempo não arrebata, onde se exalam perfumes que o vento não dissipa, onde se provam iguarias que a sofreguidão não diminui, onde se sentem abraços que a saciedade não desfaz. Eis o que amo quando amo a meu Deus!

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