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E certamente para ti, Senhor, não existe absolutamente o mal; e não só para ti, mas nem para a universalidade de tua Criação, porque nada existe fora dela capaz de romper ou de corromper a ordem que tu lhe impuseste. Mas, porque, nos pormenores, determinados elementos não se harmonizam com outros, estes são considerados maus. Mas, como esses mesmos elementos convêm a outros, são da mesma forma bons, e bons em si mesmos. E mesmo esses elementos, que não concordam entre si, concordam com a parte inferior das criaturas que chamamos terra, com seu céu cheio de nuvens e de ventos, como lhe é conveniente. Não queira Deus que eu diga: “Oxalá não existissem estas coisas!” Embora, considerando-as separadamente, eu as desejasse melhores, somente o fato de existirem deveria bastar para eu te louvar, porque mostram que deves ser louvado, desde a terra, os dragões e todos os abismos; o fogo, o granizo, a neve, o vento da tempestade, que executam tuas ordens; os montes e todas as colinas; as árvores frutíferas e todos os cedros; as feras e todos os gados; os répteis e todas as aves aladas; os reis da terra e todos os povos; os príncipes e todos os juízes da terra, os jovens e as virgens, os anciãos com os mais jovens; todos louvam teu nome. Mas como também do alto dos céus és louvado, sim, louvado, nosso Deus, porque lá no alto todos os teus anjos, todas as tuas virtudes, o Sol e a Lua, todas as estrelas e a luz, os céus dos céus, e as águas que estão sobre os céus glorificam teu nome, eu não desejava nada melhor, porque, considerando o todo, os elementos superiores me pareciam sem dúvida melhores que os inferiores; mas um julgamento mais sadio me fazia considerar o todo melhor que os elementos superiores tomados à parte.

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