Mas, apoiando-me nisso, e ruminando dentro de mim tais coisas, para que nenhum daqueles loucos que buscam nisso o lucro, e a quem eu então desejava refutar e ridicularizar não me objetasse que Firmino podia ter me contado mentiras, ou a ele seu pai, fixei minha atenção nos que nascem gêmeos, muitos dos quais saem do ventre materno com tão pequeno intervalo de tempo, que por maior influência que isto tenha na ordem das coisas, como pretendem, não pode ser apreciada pela observação humana, nem de modo algum consignado nos signos de que depois deverá usar o astrólogo para fazer um horóscopo verdadeiro. Mas seu horóscopo não será verdadeiro, porque, contemplando os mesmos signos, deveria predizer a mesma sorte para Esaú e para Jacó, sendo que os sucessos da vida de ambos foram muito diversos. O astrólogo, portanto, deveria prognosticar coisas falsas, ou, no caso de falar coisas verdadeiras, estas forçosamente deveriam ser diferentes, a despeito da identidade das observações. Logo, se seus prognósticos fossem verdadeiros, não o seriam por efeito da arte, mas do acaso. Porque tu, Senhor, governador justíssimo do Universo, por inspiração secreta, desconhecida dos consulentes e astrólogos, fazes que cada um receba a resposta que lhe convém, de acordo com os méritos ocultos das almas, do fundo do abismo de teu justo juízo, ao qual o homem não pode dizer: “Que é isto? Por que isto?” Não o diga, não o diga, porque é um simples homem.
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