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Contudo, essa aventura gravara-se em sua memória como remédio para o futuro. O mesmo se deu com outra, que aconteceu quando ainda era estudante em Cartago e seguia meus cursos. Era meio-dia. Alípio estava repassando uma declamação, segundo o costume dos estudantes, quando foi preso como ladrão pelos guardas do foro. Sem dúvida o permitiste, meu Deus, apenas para que esse jovem, que haveria de ser tão grande no futuro, começasse já a aprender quão dificilmente deve um homem, no exame das causas, ser condenado por outro com temerária credulidade. Com efeito, Alípio passeava diante do tribunal, sozinho, com as tábuas e o estilete, quando um jovem estudante, o verdadeiro ladrão, levando escondido um machado, sem que Alípio o percebesse, entrou pelas grades que rodeiam a rua dos banqueiros e se pôs a cortar o chumbo das mesmas. Ao ruído dos golpes, os banqueiros que estavam embaixo alvoroçaram-se e chamaram gente para prender o ladrão, fosse quem fosse. Mas este, ouvindo suas vozes, fugiu a toda pressa, abandonando o machado, de medo de ser preso com ele. Ora, Alípio, que não o havia visto entrar, viu-o sair e fugir precipitadamente; desejando, porém, saber a causa, entrou no lugar, e, achando o machado, se pôs, admirado, a examiná-lo. Mas nesse momento chegam os emissários dos banqueiros e o surpreendem sozinho, empunhando o machado, a cujos golpes, alarmados, haviam acudido. Prendem-no, levam-no à força e gloriam-se diante dos inquilinos do foro de terem apanhado o ladrão em flagrante, e já o iam entregar à justiça.

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