Os que convivíamos em boa amizade lamentávamos estas coisas, mas de modo especial e familiaríssimo eu o fazia com Alípio e Nebrídio. Alípio, como eu, era do município de Tagaste, nascido de uma das melhores famílias da cidade. Mas era mais jovem do que eu, pois havia sido meu discípulo quando comecei a ensinar em nossa cidade, e depois em Cartago. Ele me queria muito, por lhe parecer bom e douto, assim como eu a ele, por sua grande inclinação à virtude, que já se manifestava nele em tão tenra idade. Contudo, o abismo dos costumes cartagineses, onde ferve o gosto dos espetáculos frívolos, engolfara-o na loucura dos jogos circenses. Alípio rolava miseravelmente por esse abismo na época em que eu ensinava publicamente retórica, mas ele não seguia minhas lições, por causa de uma desavença que surgira entre mim e seu pai. Eu sabia que Alípio amava perdidamente o circo, e isso muito me preocupava, por me parecer que se iam perder, se é que já não estavam perdidas, magníficas esperanças. Mas não encontrava modos para admoestá-lo e repreendê-lo, nem por motivos de amizade nem de magistério, pois julgava que tinha sobre mim a mesma opinião que seu pai. Mas isso não era verdade. Pondo de parte nesse assunto a vontade paterna, começou a me cumprimentar, comparecia à minha aula, ouvia-me por alguns instantes, e logo se retirava.
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