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Falarei, na presença de meu Deus, do vigésimo nono ano de minha vida. Já havia chegado a Cartago um dos bispos maniqueus, chamado Fausto, grande laço do demônio, no qual caíam muitos pelo encanto sedutor de sua eloquência, que, embora também exaltada por mim, eu a sabia contudo distinguir das verdades objetivas, que eu desejava conhecer. Não era o prato do estilo que eu considerava, mas o alimento doutrinal que nele me era servido por aquele famoso Fausto, tão reputado entre os seus. A fama mo apresentara como homem doutíssimo em toda espécie de ciência e particularmente instruído nas artes liberais. E como eu tinha lido muitas coisas dos filósofos, e as conservava na memória, pus-me a comparar algumas destas com as grandes fábulas do maniqueísmo, parecendo-me mais prováveis as doutrinas daqueles que chegaram a conhecer a ordem do mundo, embora de modo algum tivessem encontrado o seu Senhor, porque tu és grande, Senhor, e pões os olhos nas coisas humildes, e as elevadas as conheces de longe, e não te aproximas senão dos contritos de coração. Nem és encontrado pelos soberbos, embora sua curiosa perícia seja capaz de contar as estrelas do céu e as areias do mar; seja capaz de medir as regiões do céu e de investigar o curso dos astros.

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