Por que, perversa, segues tua carne? Seja esta, convertida, a que te siga a ti. Tudo o que por ela sentes é parte, mas ignoras o todo de que são partes; e, todavia, elas te deleitam. Mas, se os sentidos de tua carne fossem idôneos para compreender o todo, e se, para teu castigo, não tivessem sido limitados, com justiça, a compreender apenas partes do Universo, sem dúvida quererias que passasse tudo o que existe de presente, para melhor desfrutar do conjunto. O que falamos também ouves pelo sentido da carne, e não queres, certamente, que as sílabas se detenham, mas que voem, para que venham as outras, e assim ouças o conjunto. O mesmo acontece sempre com todas as coisas que compõem um todo, quando essas partes, que o formam, não existem ao mesmo tempo: há mais encanto no todo do que nas partes percebidas separadamente, se se pode percebê-las em sua totalidade. Mas muito melhor do que todas elas é o que as fez, que é nosso Deus; e ele não passa, porque nada lhe sucede.
Remover destaque