Deus, meu Deus, que misérias e zombarias experimentei ali! Pois, a mim, menino, era proposto isto como a maneira correta de viver: obedecer aos que me aconselhavam, para que eu florescesse neste século e me destacasse nas artes de muito falar, a serviço da honra dos homens e das falsas riquezas. Daí fui entregue à escola para aprender as letras, nas quais eu, miserável, ignorava que utilidade havia, e, contudo, se era preguiçoso para aprender, apanhava. Pois isso era elogiado pelos mais velhos; e muitos que antes de nós levavam essa vida haviam preparado caminhos penosos, pelos quais éramos obrigados a passar, com o trabalho e a dor multiplicados para os filhos de Adão. Encontramos, porém, Senhor, homens que te rogavam; e aprendemos com eles, percebendo, quanto podíamos, que eras alguém grande, que podias, mesmo sem aparecer aos nossos sentidos, atender-nos e socorrer-nos. Pois, menino, comecei a rogar-te, meu auxílio e refúgio; e, para te invocar, rompia os nós de minha língua; e eu, pequeno, te rogava com um fervor que não era pequeno, para não apanhar na escola. E, quando não me atendias, o que não me levava à insensatez, eram motivo de riso para os mais velhos, até para os próprios pais, que não queriam que me acontecesse mal algum, as pancadas que eu recebia, que eram então para mim um grande e grave mal.
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