Realidade
Parágrafo 42
Compreende-se, agora, que nada pode possuir uma existência se essa existência não for correlativa de uma realidade que é o efeito de sua atividade em exercício, e que pode bem ser dita sua manifestação — com a condição de entender por isso a aparência que ela faz surgir naquilo mesmo que a ultrapassa, e onde ela traça, por assim dizer, a configuração de sua operação e de seus limites. Não posso reificar nem o ser nem a existência, mas a realidade é a única forma sob a qual o ser pode aparecer à existência, no intervalo que os separa. E, embora a realidade não possa, pois, jamais ser para nós nada mais do que uma aparência, dirão que ela se opõe, ao mesmo tempo, ao ilusório — que é a aparência ainda, mas enquanto me decepciona, permanece irremediavelmente subjetiva e isola os seres em vez de uni-los —, ao possível — que é a existência enquanto eu ainda não a assumi, e que ainda não obteve resposta do universo, ao qual permanece, por assim dizer, estranha —, ao ideal, enfim — que é o ser, mas enquanto a realidade, quaisquer que sejam sua abundância e sua riqueza, nunca consegue representá-lo nem esgotá-lo.