Ser
Parágrafo 13
Mas, se o ser não pode ser dissociado da afirmação, entende-se que se tenha tentado buscá-lo em seu conteúdo — isto é, ora no atributo, ora no sujeito da afirmação —, dois termos de algum modo recíprocos e que ele sempre ultrapassava. Dizer, ao contrário, que ele residia no «é», em que a própria afirmação se cumpria, era dizer que era preciso buscá-lo no agente da afirmação, e não mais em um de seus termos. Era preciso, então, transportá-lo do afirmado para o afirmante. Pois o afirmante só podia pôr-se como portador da potência infinita da afirmação. A partir desse momento, o ser deixa de ser essa universalidade abstrata, que dele faria o caráter comum de uma multiplicidade infinita de termos considerados independentemente de seu conteúdo, para tornar-se uma universalidade concreta, tal que não há termo que não esteja envolvido no ato absoluto da afirmação, e que não exprima sua limitação. O que mostra, ainda, por que a unidade do ser deve ser definida como uma origem e não como um total.