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Capítulo V. A atividade

9. Preguiça e esforço

É a preguiça de estar atentos à luz interior e de tirar proveito dos bens que estão sempre ao seu alcance que faz com que as pessoas desperdicem, com frequência, sua inteligência e sua vontade na ociosidade e no divertimento. Não há paixão mais poderosa do que a preguiça; mas é uma paixão da carne. Às vezes se crê que há uma doença do espírito, que é o entorpecimento ou a languidez; mas o mal não está no espírito, que é inacessível a qualquer ataque. Ele é uma atividade sempre pronta, uma graça sempre oferecida. Assim, ele exclui a preguiça, que nasce assim que deixamos de escutar sua voz para nos abandonar à inércia da matéria e às complacências do corpo.

O esforço não é, como se crê, o sinal da atividade, mas a marca de sua limitação e de sua impotência. E o ser que age por esforço resiste à atividade mais do que consente nela. À medida que o consentimento se torna mais perfeito, o esforço diminui. Toda atividade material precisa ser forçada; ela deixa no espírito uma outra preocupação e logo produz fadiga: toda atividade feita como tarefa precisa de repouso. Mas a atividade interior é um dom e uma libertação, e não um esforço que nos constrange e nos divide; só ela pode preencher toda a nossa capacidade. Ela não precisa que o repouso a regenere, pois é ela que, a cada instante, regenera o nosso próprio ser; a ociosidade, ao contrário, produz uma fadiga de que essa atividade nos cura.

Só podemos, portanto, estar certos de ter descoberto a atividade verdadeira quando temos consciência de que ela já não pode se fatigar nem se desgastar. Ela supera as tarefas particulares que todas me escravizam. É uma atividade que me ultrapassa, à qual só posso consentir, mas que não pode nem secar nem faltar-me. É uma atividade total pela qual minha atividade dispersa é esquecida, unificada, fortalecida, transfigurada. Viver de uma vida livre e divina é exercer essa atividade pura que é sempre para nós um descanso e uma alegria.

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