Capítulo IV. A mensagem do escritor
7. O sucesso e o fracasso
Acontece que o elogio dá confiança e força, desperta a atividade, tira-a do isolamento e lhe dá o apoio da comunhão humana. Mas essas vantagens logo se perdem — e pior. Pois, ao desfrutar do elogio, o amor-próprio se dobra sobre si mesmo e se separa de novo. Seguros da potência que há em nós e que o sucesso confirma, apoiamo-nos nela. Então ela nos abandona, pois não pode ser conservada e, na verdade, só pode ser se, a cada instante, a obtivermos por uma vitória sobre nós mesmos.
Os sucessos de opinião e os sucessos do espírito nem sempre caminham juntos; e podem até se excluir. As pessoas que têm mais êxito por fora são muitas vezes as que sentem mais miséria por dentro; é verdade que frequentemente enterram esta na parte mais secreta da alma. Mas não há sucesso visível que não seja mais grave do que um fracasso se o coração não está satisfeito.
Os fracassos, é verdade, podem, ao reprimir o desejo de sucesso, dar-lhe mais acuidade e amargor: o escritor então cede ao aguilhão da vaidade ferida e busca uma revanche no próprio sentimento de injustiça de que se crê vítima. Mas podem também, ao dobrá-lo sobre si mesmo, servir ao seu avanço interior, contanto que ele não tire desse avanço mesmo alguma nova satisfação de amor-próprio; pois é terrível que o amor-próprio se insinue até nas vitórias do espírito e sempre peça para partilhar seus frutos. O papel dos fracassos deveria ser purificar-nos de todos os movimentos do amor-próprio e despertar todas as nossas potências espirituais, não, como muitas vezes se diz, para ajudar-nos a superar a fortuna, mas porque elas só podem exercer-se no desinteressamento puro. Essas potências nos convidam a uma vida livre e divina que muitas vezes não teríamos sabido descobrir nem amar se o mundo tivesse conseguido atrair-nos e reter-nos. Pois somos tão fracos que, às vezes, é preciso que o mundo nos rejeite para que consigamos desprender-nos do mundo.
Os sucessos exteriores inquietam e repelem as almas mais delicadas e, às vezes, chegam a estancar a alegria do espírito. Pois ela basta a si mesma; não precisa ser confirmada e não se alimenta da opinião. Não é que ela se feche em algum cercado: ao contrário, ela transfigura e ilumina tudo o que dela se aproxima; sua ação é uma ação de presença sempre próxima e natural, inocente e ignorada do amor-próprio, que não pensa nem em apoderar-se dela nem em se queixar por ser vencido.
Nossa irradiação espiritual é proporcional à nossa potência de solidão; é preciso que ela imponha silêncio a todos os ecos do exterior: então ela se torna a mais pura de todas as mensagens, a mais imaterial e a mais eficaz. É quando um livro não alcançou a notoriedade, ou quando a atravessou e ultrapassou, que ele consegue criar, entre um pequeno número de espíritos, a comunicação mais desinteressada e mais perfeita.