Capítulo III. O nascimento das ideias
7. Atenção e amor
Todo conhecimento é um ato de atenção e de amor. Ele é sempre um reconhecimento, não no sentido de que já tenha ocorrido uma vez, como pensavam os platônicos — pois que seria então esse primeiro conhecimento? —, mas no sentido, mais vivo e mais belo, de que é uma homenagem que rendemos ao universo de que tiramos a existência e que nos sustenta e nos nutre. É o conhecimento que nos dá a presença e a fruição do Ser. Como não seria também o seu louvor?
Mas o conhecimento torna possível a ingratidão daqueles filósofos que, vendo que ele depende de sua atenção, imaginam que é obra deles e não um dom que se limitam a receber. A atenção é, ao mesmo tempo, um ato de liberdade, pois dispomos dela, e um ato de docilidade, pois nos faz participar de uma realidade que nos é dada: assim, é quando o espírito é mais ativo que tem melhor consciência de acolher a verdade e não de produzi-la.
A atenção se assemelha ao amor. Ela é, como ele, um consentimento que nos cabe dar ou recusar e que, no entanto, arrasta e ultrapassa a nossa vontade. Não devemos solicitar nem perseguir as ideias que nos fogem. Elas nascem, como os movimentos do amor, de certos encontros em que não há nem pedido nem oferta e que trazem um dom gratuito e inesperado. Mas muitas vezes deixamos passar, sem os ver, os dons que a Providência nos destina: nem sempre estamos prontos para pensar nem para amar. Contudo, além da sabedoria — que é sempre senhora de si, mas que muitas vezes se contenta com pouco ou com nada —, há um estado de confiança e de abandono que nos prepara para receber tudo. Esse estado supõe que se fez em si uma espécie de vazio interior, que se libertou de toda preocupação particular; ele é, diante do universo, uma humildade, uma espera e, ao mesmo tempo, um chamado.
Não há atenção que não seja animada por uma intenção, que é ela própria mediadora entre a atenção e o amor. Dispomos da nossa atenção como dispomos da nossa vontade; mas a verdade nos responde como bem entende e não como nós entendemos: depende de nós olhar, e não ver. Mas olhar é escolher, é amar; e como não se ofereceria a luz àquele que a busca e que, buscando-a, a ama e, amando-a, já a possui? Há um ponto em que o olhar atento e o raio que o ilumina se fundem e não são senão um.
Observa-se um círculo admirável entre o amor e o conhecimento: o conhecimento suscita o amor, e o amor suscita o conhecimento. O amor é semelhante a um conhecimento que se busca, e o conhecimento, a um amor que se possui. O conhecimento é a redenção do mal da individualidade. Ele nos reúne ao universo, do qual o pecado nos separava.