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Capítulo I. A consciência de si

1. A consciência é o nosso próprio ser

A consciência é uma pequena chama invisível e trêmula. Muitas vezes pensamos que seu papel é nos iluminar, mas que o nosso ser está em outro lugar. E, no entanto, é essa claridade que somos nós mesmos. Quando ela diminui, é a nossa existência que fraqueja; quando se apaga, é a nossa existência que cessa.

Por que dizer que ela nos dá do que é a imagem mais imperfeita? Essa imagem é, para nós, o verdadeiro universo: jamais conheceremos outro. Por que dizer que ela nos encerra numa solidão em que nunca encontraremos companhia? É ela que dá sentido às palavras sociedade, amizade ou amor. É nela que se forma o desejo, mas também o sentimento da posse, que é a própria posse.

Quando a consciência procura um objeto fora dela e sofre por não poder alcançá-lo, é porque sofre com seus limites e busca apenas crescer. Pois não pode haver objeto para ela senão aquele que ela é capaz de conter. Pode-se bem dizer que ela está encerrada em si mesma como numa prisão: é uma prisão cujas paredes recuam indefinidamente.

Mas quem poderia pensar que a consciência é uma prisão, senão aquele que fecha todas as suas aberturas? Quando a consciência nasce, o ser começa a libertar-se das correntes da matéria; pressente sua independência: um caminho infinito se estende diante dele, que sempre ultrapassa suas forças, mas nunca a sua esperança. À medida que a consciência cresce, ela se torna mais acolhedora; o mundo inteiro lhe é revelado; ela se comunica com ele e uma alegria a enche ao encontrar ao seu redor tantas mãos que se estendem.

Não há estado algum da consciência — nem mesmo o sofrimento, nem mesmo o pecado — que não valha mais do que a insensibilidade ou a indiferença. Pois ainda são marcas do ser e da vida que testemunham a potência com que ela se deixa abalar. Não é preciso buscar aboli-los, mas convertê-los. Lança-se no nada tudo o que se retira da consciência. A consciência maior, mais rica e mais bela é aquela que unifica o maior número de ímpetos e purifica o maior número de máculas.

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